Definição da Economia Prateada
Segundo Sérgio W. Duque Estrada, sócio da Ativen e conselheiro do Conex60, a Economia Prateada é “a massa de recursos movimentada pelos 60+ para a aquisição de bens e serviços, seja para o seu consumo direto ou indireto”. O consumo direto refere-se ao consumo pessoal dos idosos, enquanto o consumo indireto inclui gastos como pagar a escola de um neto, comprar um presente no Dia das Crianças ou ajudar no aluguel da família. A Economia Prateada também abrange bens e serviços, públicos ou privados, concebidos e produzidos para o público 60+, que podem ser criados por pessoas dessa faixa etária, como participantes ativas do mercado de trabalho.
Dados Demográficos do Envelhecimento no Brasil
Pelo último censo, a população com 60+ anos representa 15,5% da população brasileira, quase o dobro dos 8,4% de duas décadas atrás. Nos estados mais populosos, São Paulo e Minas Gerais, os 60+ correspondem a 27% e 17,8% das populações, respectivamente. O Brasil está envelhecendo devido a dois fenômenos:
- Envelhecimento da população: A taxa de natalidade caiu para 1,47, abaixo da taxa de reposição de 2,1.
- Incremento da longevidade: Em 1945, a expectativa de vida era de 43 anos; em 2023, alcançou 77 anos, um ganho de 34 anos.
Segundo o IBGE, a partir de 2041, a população brasileira começará a declinar. Projeções do IPEA, citadas pela CNN Business, indicam que até 2100, 40,3% da população será idosa.
Impacto Econômico da Economia Prateada
A Economia Prateada é a terceira maior atividade econômica do mundo, movimentando US$ 17,1 trilhões anualmente. Se os 60+ formassem um país, teriam o terceiro maior PIB global, atrás apenas de Estados Unidos e China. No jargão internacional, a Economia Prateada também inclui os 50+. No Brasil:
- Os 60+ movimentam aproximadamente R$ 1,3 trilhões por ano.
- Incluindo os 50+, a renda total agregada ultrapassa R$ 2,1 trilhões.
- 24% dos lares brasileiros têm uma pessoa 60+ como principal ou única fonte de renda, em grande parte devido a aposentadorias.
Importância para os Mercados
A Economia Prateada pode ser um fator estratégico decisivo para conferir ou manter a liderança de mercado. No entanto, o atendimento ao público 60+ é insuficiente. Uma pesquisa da Fleishman Hillard revelou que:
- 72% das pessoas com 65+ acham o varejo despreparado para atendê-las.
- 65% afirmam que as marcas, em geral, não atendem às suas necessidades.
A crença de que a juventude move a economia faz com que o público 60+ seja negligenciado nas estruturas de lojas, no UX e UI de sites, produtos, serviços e nas peças publicitárias.
Barreiras ao Atendimento dos 60+
Três fatores fundamentais explicam essa “miopia de marketing”:
- Idadismo: Preconceito contra idosos, associando o “velho” ao “descartável”. No Brasil, a idolatria à juventude faz com que muitos ignorem que a “Garota de Ipanema” já passou dos 80. Termos como “etarismo” ou “ageísmo” também são usados, mas o foco deve ser combater o preconceito.
- Abismo Tecnológico (Digital Divide): Os 60+ cresceram em um mundo analógico, enquanto o mercado atual é digital. Apesar de serem os “pais” das tecnologias digitais, a inclusão digital dos 60+ melhorou após a Covid-19, com o uso crescente do WhatsApp para comunicação.
- Dominância de jovens no marketing e RH: Profissionais jovens, que lideram mídias digitais, têm pouca empatia com os idosos. A intergeracionalidade, ou interação entre gerações, é essencial para superar essa lacuna.
Exemplos de Lacunas no Atendimento aos 60+
- Saúde: Idosos são frequentemente infantilizados em clínicas e hospitais, com frases como “me dá a mãozinha” ou “a senhora está tão jovem para a sua idade”.
- Varejo: Lojas, supermercados, shoppings e farmácias carecem de treinamento para atender os 60+ respeitando os sinais do envelhecimento.
- Indústria farmacêutica: Bulas de remédios de uso contínuo, principal mercado dos 60+, são difíceis de ler.
- Turismo: Pesquisa da Ativen com o InovaHC da USP (“Ideathon Silver”) indica que os 60+ desejam viajar mais após a Covid-19. O setor é um “oceano azul” de oportunidades, como já ocorre na Europa, Estados Unidos e Ásia.
- Bancos: A pesquisa “Bússola 60+” (Ativen, SeniorLab e Raízes) aponta que interfaces bancárias digitais são pouco amigáveis e inseguras para os 60+.
Conclusão
A Economia Prateada representa uma oportunidade estratégica para empresas e mercados. Com o envelhecimento da população e o aumento do poder econômico dos 60+, é essencial adaptar produtos, serviços e atendimentos às suas necessidades. Pense sobre como essa realidade demográfica e econômica se encaixa na sua empresa, no seu negócio e na sua vida.